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Algumas curiosidades sobre os nossos vizinhos de América do Sul.

January 3, 2013

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Uma das coisas legais de viajar é que essa é a única atividade que eu conheço na qual cada centavo investido tem retorno garantido na forma de conhecimento e experiência. E uma das coisas mais gratificantes de viajar pela América do Sul foi abrir a mente para a cultura dos nossos vizinhos e desfazer velhos preconceitos – além de fazer descobertas interessantes.

Divido agora com vocês cinco dados curiosos que eu descobri viajando pela América do Sul:

1)      O tango não é argentino (ou, pelo menos, não faz parte apenas da cultura argentina).

Quando a gente pensa em tango, logo vem à nossa mente a imagem do Caminito, em Buenos Aires, e a música de Carlos Gardel, um verdadeiro ícone desse estilo. Nem passa pela nossa cabeça a possibilidade de que o tango esteja culturalmente identificado com outros países. Pois bem, saibam que o tango é uma manifestação cultural compartilhada por Argentina e Uruguai. Inclusive, há algumas milongas em Montevideo e tangos famosos, como “La Cumparsita”, foram compostos por uruguaios. E mais: Carlos Gardel também não é argentino. Nascido na França, Gardel chegou a Buenos Aires com cerca de 3 anos de idade, pois sua mãe, que era solteira, fora expulsa de casa pela família e resolveu tentar a sorte nas Américas. Criado no bairro do Abasto, então de maioria judaica, Gardel forjou uma falsa certidão de nascimento uruguaia para não ter de lutar na 1ª Guerra Mundial. Assim, quando faleceu em um desastre aéreo na cidade colombiana de Medellín, foi descoberto com ele um passaporte uruguaio que apontava como local de nascimento a cidade de Tacuarembó, dando início a uma polêmica que se arrastaria por décadas e que acirraria a já apimentada rivalidade entre argentinos e uruguaios.

 

2)      A herança negra no Uruguai.

O Uruguai, apesar de ser um país pequeno espremido entre duas potências regionais, tem uma cultura bastante interessante, que inclui uma forte influência negra. Essa influência se manifesta no candombe, ritmo uruguaio que lembra muito os tambores usados nas cerimônias de candomblé, e na religião, pois há um percentual significativo de umbandistas no país. Inclusive, ao chegar a Montevideo no dia 2 de janeiro de 2011, presenciei um grupo de senhoras uruguaias fazendo oferendas a Iemanjá em pleno Rio da Prata!

 

3)      Não é só na Bahia que o Carnaval parece não ter fim.

Mais uma do Uruguai: o Carnaval, que recebe o nome de “llamadas” neste país, dura um mês inteiro e é animado por desfiles que ocorrem na cidade velha de Montevideo ao som do candombe.

 

4)      O Chile é um país conservador e machista.

Apontado no Brasil como um modelo de desenvolvimento a ser seguido, o Chile é realmente um país bastante organizado e que tem uma infraestrutura invejável. No entanto, uma face do país pouco divulgada no Brasil é bastante feia: o Chile é um país conservador, no qual prospera o machismo, a homofobia e no qual políticos proeminentes se sentem confortáveis para elogiar a ditadura sanguinária de Pinochet. Acredite se quiser: até 2004, o Chile era um dos únicos três países do mundo que proibia o divórcio. Mais: ainda é comum no país que a mulher abandone o seu emprego após se casar para ficar cuidando da casa e dos filhos, como se não houvesse outra alternativa de vida. O símbolo do machismo do Chile, porém, são os cafés com piernas. Localizados majoritariamente no Centro de Santiago, especialmente no Paseo Ahumada, os cafés com piernas lembrariam muito os botequins do Rio de Janeiro não fosse por um detalhe: o atendimento é feito exclusivamente por mulheres vestidas em trajes sumários e que caminham sobre um tablado para por em evidência os seus “dotes”. Pior: esses cafés não são frequentados por tarados, e sim por senhores engravatados que trabalham em seus laptops enquanto observam as garçonetes. Fiquei tão deprimida com essa visão que não tive coragem nem de tirar foto.

A homofobia também é uma triste realidade no Chile, que foi evidenciada pelo cruel homicídio do jovem Daniel Zamúdio em pleno Parque San Borja, no Centro de Santiago. Daniel foi atacado por um grupo de neonazistas que o torturaram por mais de uma hora sem que ninguém “percebesse”. Isso em pleno ano de 2012!

Para coroar, enquanto na Argentina e no Brasil os defensores da ditadura são tidos como pessoas folclóricas ou bizarras (quando não são abertamente hostilizados), Cristián Labbé foi prefeito da importante comuna de Providencia (um dos distritos de Santiago) mesmo defendendo abertamente o General Pinochet e o banho de sangue que ele promoveu no país. Somente neste ano Labbé foi destituído pelo eleitores – o que demonstra que, devagarzinho, algumas coisas estão mudando para melhor no Chile.

5)      Os argentinos, em geral, gostam do Brasil.

Já estive na Argentina duas vezes (vou para lá pela terceira vez em fevereiro) e conheci vários argentinos nas viagens que fiz pela América do Sul. Assim, sinto-me bastante confortável para rechaçar a “doutrina Galvão Bueno” e afirmar: não é verdade que os argentinos odeiam o Brasil. Ao contrário: muitos viajam ao Brasil com frequência e gostam do nosso país e de nossa cultura. Aliás, é impressionante como os argentinos gostam de nossa música, desde bossa nova até Roberto Carlos e Caetano Veloso. Fui sempre muito bem tratada em Buenos Aires e cheguei a ser “stalkeada” por um argentino fã de Martn’ália e do réveillon de Copacabana quando estava visitando o Atacama. Na verdade, a rivalidade se limita ao futebol – e nisso não estamos sozinhos, pois ouvi de torcedores do Colo-Colo, do Peñarol, do Sporting Cristal e etc. reclamações de que a AFA compra a arbitragem da Conmebol.

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