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Por que brasileiro acha que viagem ao exterior é igual a tour de compras?

January 7, 2013

ferias 2012 402

 

A foto que ilustra este post é do prédio de uma empresa de navegação sediada na praça principal da cidade de Valparaiso, no Chile. Como muitos prédios na cidade, este foi destruído em um grande terremoto – que também causou um incêndio de grandes proporções – como sói acontecer no Chile. Como os chilenos não são daqueles que ficam choramingando, foram e reconstruíram o prédio com arquitetura moderna, mas mantendo o “casco” do prédio antigo – que não pôde ser recuperado devido aos estragos.

Você deve estar se perguntando o motivo de eu ter escolhido esta foto para ilustrar um post sobre o consumismo dos turistas brasileiros. Afinal, o que arquitetura tem a ver com o consumismo dos brasileiros? No meu caso, tudo. Comprei um tour a Valparaiso e sua cidade-irmã (Viña del mar) no balcão do hotel quando cheguei em Santiago. Apesar de ser um tour corrido, estava animada para conhecer as duas cidades – especialmente Valpo (como os chilenos carinhosamente a apelidaram), uma das cidades mais antigas do Chile e patrimônio da Humanidade. Só que eu deveria ter escolhido um tour sem brasileiros. Sem entender o espírito do negócio, a brasileirada estava mais preocupada em comprar do que admirar as belas cidades litorâneas.

Meu estresse começou na estrada que liga Santiago a Valparaiso (por sinal, belíssima, com vários vinhedos enfeitando a paisagem). O ônibus fez uma parada para permitir que as pessoas fossem ao banheiro. O guia aproveitou a oportunidade para aproveitar os alimentos vendidos no local e explicar um pouco a culinária chilena. Antes o simpático guia Aldo tivesse ficado calado: a brasileirada resolveu aproveitar a parada para o banheiro para sair comprando comida típica chilena como se precisasse estocar mantimentos para mais de um mês. Apesar do frenesi culinário, dei uma relevada, considerando que a culinária também faz parte da cultura do país.

A próxima parada foi em um mirante ainda na estrada, o qual tinha uma bela vista para o Pacífico. Porém, a vista não entreteve os turistas brasileiros por muito tempo. Rapidamente, surgiram alguns camelôs chilenos, que surpreendentemente falavam português. Foi a senha para que a compra de toda a sorte de bugigangas vindas do Peru (especialmente blusinhas) passasse a monopolizar a atenção da maior parte do grupo. Enquanto eu e um casal de Curitiba tínhamos o Pacífico só para nós, umas dez mulheres escolhiam cachecóis de algodão que tranquilamente poderiam ser comprados nos camelôs brasileiros a “10 real”. Este novo frenesi consumista não teria me incomodado tanto se não tivesse atrasado em 15 minutos o nosso já apertado roteiro.

Como todo castigo para corno é pouco, ao chegarmos em Valparaiso propriamente dita, o guia nos deixou descer na praça onde fica o prédio que ilustra este post e marcou horário para nos reencontrarmos em frente ao ônibus, pois teríamos ainda um tempinho para subir um dos famosos ascensores da cidade. Ocorre que as senhoras do grupo avistaram novos camelôs e, quando inquiridas sobre o respeito ao horário, disseram que preferiam fazer compras a “visitar um favelão” (palavras usadas por uma das senhoras). Resumo da ópera: não pude conhecer Valparaiso direito porque um grupo de brasileiros mal educados foram a uma cidade famosa pela arquitetura para fazer compras.

Não vejo nada de errado em fazer compras no exterior. Eu mesma sempre reservo um espaço na mala para minhas comprinhas. Ocorre que há destinos cujo forte é a cultura, não as compras. O ponto alto destes destinos são a arquitetura, os museus, o contato com o povo – não blusinhas de camelô que podem ser compradas em qualquer lugar. Acho que, se a pessoa só quer comprar, que se dirija a lugares propícios para tanto, como a Flórida, o Paraguai e outros tantos destinos de compras. Não é o caso de Valparaiso nem do Chile em particular. Os preços no Chile são equivalentes aos preços do Brasil e as autoridades alfandegárias são super rigorosas no país (inclusive com transporte de comida). E no Chile não tem jeitinho brasileiro – as autoridades são super corretas e não vão aceitar uma cervejinha para fazer vista grossa para a sua muamba. Assim, me pergunto por que os brasileiros preferem gastar horas e horas no Parque Arauco (principal shopping de Santiago) a visitar a casa de Pablo Neruda ou alguns dos bons museus de Santiago.

Outro dia, li que a venda de pacotes para Buenos Aires caiu em todo o Brasil. A agente de viagens entrevistada para a matéria atribuiu a queda à inflação na Argentina, a qual encareceu os produtos nos outlets e fez com quem não mais compensassem os tours de compra na cidade. Fiquei petrificada: como alguém pode achar que Buenos Aires é só uma cidade de compras? E o MALBA? E os parques de Palermo? Será que somos turistas tão medíocres assim?

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