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Viajando sozinha

January 9, 2013

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Muitas pessoas ficam impressionadas com o fato de eu ter viajado sozinha por quatro países da América do Sul. Ficam mais impressionadas ainda com o fato de eu não ter ficado em hostels em nenhuma das cidades que eu visitei. Mas o que choca ainda mais as pessoas é quando eu digo que, se pudesse, só viajaria sozinha.

Isto ocorre porque, no inconsciente coletivo, mulher solteira viajando sozinha é sinônimo de mulher encalhada, ressentida, sem amigos ou de mochileira terrivelmente maluca. Os que me conhecem sabem que eu não preencho esse estereótipo (talvez o de maluca J). Então, por que eu viajo sozinha?

Para começo de conversa, viajar sozinho não é coisa só de mochileiro que se hospeda em hostels. É perfeitamente possível viajar sozinho usando mala de quatro rodinhas e ficando em hotéis de 3 estrelas – sem luxos, mas também sem dividir beliches com um bando de desconhecidos. O único detalhe é que a diária de hotel para solteiro geralmente é quase o preço de diária de casal. Se você não se incomodar com este detalhe, não há razão para ficar em hostels – a não ser que seja uma opção sua. É verdade que, para quem está viajando sozinho, o clima “party all the time” dos hostels ajuda a conhecer gente e a desinibir. Entretanto, há horas em que o viajante quer descansar e esse clima cansa, não? E se você for como eu e não abrir mão da sua privacidade, o hostel pode ser revelar um tanto quanto inadequado.

Ademais, você não precisa se hospedar em hostels para conhecer gente; basta você ter o espírito aberto e curioso e não ter medo de puxar papos com outros turistas e até com locais. Conheci muita gente em passeios feitos em grupos (especialmente em passeios de ecoturismo, como o Macuco Safári em Foz e os passeios no Atacama) e até em filas de museus. Você provavelmente não vai ver essas pessoas outra vez, mas vai ter se enriquecido em poder conhecer pessoas e culturas novas. Se possível, tente se aproximar dos locais. Isso é superpossível com os “espaçosos” argentinos e com os simpáticos peruanos. Fica mais difícil com os fechados santiaguinos, mas não é impossível. Vai por mim: conhecer gente é o melhor da viagem solo. Basta você se abrir às oportunidades que surgem sem medo de ser feliz.

Muitas pessoas me perguntam como é fazer as refeições sozinha. Não vejo nenhum problema, mas, quando a saudade de conversar com alguém bate, é só pegar o smartphone e logar no Facebook😀 Se você for daqueles que não abre mão de companhia nas refeições, tente um tour gastronômico ou uma degustação de vinhos em grupo. Você vai conhecer gente e ainda provar novos sabores.

Outra pergunta frequente que me fazem é sobre segurança. Não raro, sou rotulada de corajosa por me aventurar sozinha pela América do Sul – embora muitas das pessoas que fazem este tipo de comentário não vejam problema algum solo na Europa. Para essas pessoas eu digo que o nosso continente realmente tem mazelas, mas, para quem vive no Rio de Janeiro, é só tomar os cuidados de praxe: observar os pertences em locais públicos, não andar sozinho por locais ermos, tomar táxi de cooperativa para sair à noite, etc. Também é de bom tom contratar um seguro viagem e tirar uma cópia do passaporte para deixar com parentes para caso de extravio do original. Outra coisa que eu faço é andar com o RG brasileiro na rua e deixar o passaporte trancado no cofre do hotel. Como a maior parte dos nossos vizinhos aceita o RG como meio de identificação, me resguardo dos efeitos nocivos da perda do passaporte. Também é importante ter mais de um meio de pagamento para qualquer eventualidade.

O fato de ser uma mulher viajando sozinha até agora não influiu em nada. Penso que, se for para acontecer alguma coisa, acontecerá sozinha ou acompanhada. O único senão de estar sozinha é não ter ninguém com quem partilhar os problemas. Só enfrentei dois perrengues de verdade: um na Argentina e outro no Peru.

No meu primeiro dia em Buenos Aires, fui jantar em Puerto Madero à noite e, na volta, peguei um táxi chamado pelo restaurante. Mesmo sendo um táxi de cooperativa, o taxista me passou uma nota falsa. Como era madrugada, fiquei com medo de encarar o taxista apesar de ter notado a falsificação. Engoli em seco até porque era uma nota de 10 pesos, mas passei a ficar mais alerta.

Já no Peru, eu vivi a minha própria versão do “Expresso da meia-noite” – só que sem as drogas. Fui vítima da falta de infraestrutura do aeroporto de Cuzco e do despreparo da polícia peruana. Além do aeroporto não ter máquina de raio-x (o que obriga todo o mundo a abrir a mala para a inspeção da polícia antes de fazer o check in), fui selecionada na fila para entrar na sala de embarque para passar por uma inspeção mais rigorosa. Aparentemente, a polícia peruana achou que eu era “mula” por ser uma mulher jovem viajando sozinha e resolveu me revistar. Ocorre que não há sala especial para tanto naquele aeroporto. Acabei sendo revistada por dois homens na frente de todo mundo. Tive de tirar botas, casaco de frio, cachecol e meias na frente de todo mundo – além de levantar parte da blusa para mostrar que não havia nada por baixo. Minha bolsa foi revirada, minha maquiagem foi atirada no balcão da polícia e só não tive minha mala de mão arrombada porque gritei que ia pegar a chave do cadeado para abri-la. Uma brasileira que estava passando pela mesma situação fez cara de choro e foi ainda mais maltratada. Uma violência e despreparo sem fim. Mantive a calma todo o tempo, o que ajudou com que a polícia peruana me liberasse antes da outra brasileira. O policial peruano, finalmente constrangido com a própria truculência, tentou emendar um papo sobre futebol ao ver o meu passaporte brasileiro. Como vocês podem ver, é só manter a calma e a civilidade.

Situações como essas duas são completa exceção – e não justificam o medo exacerbado das pessoas. E continuo amando Argentina e Peru – até porque problemas com taxistas malandros e polícia despreparada também são comuns no meu Rio de Janeiro.

A grande diferença de uma viagem solo para outras é que ela exige mais planejamento, pois você só poderá contar com você mesmo em caso de problemas. Para tanto, pesquise sobre o destino na internet e anote endereços importantes como os das Embaixadas brasileiras.

Tomadas as precauções básicas, viajar sozinha é uma delícia. Você não se obriga a ter que negociar com outras pessoas sobre quais atrações você vai visitar, acaba conhecendo mais gente e fica na sua melhor companhia: você! A viagem solo é também um convite ao relaxamento, pois, sozinho com seus próprios pensamentos, sua mente fica livre de preocupações e pode desfrutar melhor de momentos como ver o pôr-do-sol na Casapueblo ou flutuar na Laguna Cejar.

E aí: se animou para fazer uma viagem solo?

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One Comment
  1. maria claudia permalink

    Nossa! Seu post me inspirou mto. Adoro viajar, mas nunca tive coragem de ir sozinha. Preciso mto desse tempo para mim. Acho q vou pegar seu incentivo e dar um pequeno passo, aqui pelo Brasil mesmo. Mas minha intenção é conhecer tds os países da América do Sul. Mas pra isso, preciso de mais coeagem, rsrsr. Bjs.

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