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O fiasco do metrô carioca

January 11, 2013

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A foto que dá início a este post reproduz a malha viária do metrô de Londres – o primeiro do mundo e que está completando 150 anos essa semana. Abaixo, vocês encontram a planta do metrô de Santiago de Chile, o qual, prodigiosamente, possui cinco linhas em uma cidade marcada pelos terremotos e limitada pela Cordilheira dos Andes. Em comum, os dois metrôs atestam uma verdade: toda cidade grande que se preze tem que ter uma rede de metrô abrangente, pois sem um transporte de massa de verdade a mobilidade urbana fica completamente comprometida. No entanto, essa é uma verdade que nossos governantes estão demorando a aprender – para não se dizer que estão tentando ignorar.

Às vésperas da Copa das Confederações, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o metrô do Rio de Janeiro é notícia dia sim e o outro também por causa da sua ineficiência, superlotação e caóticas obras de expansão. Aliás, a necessidade de expansão em si se apresenta polêmica, visto que moradores do Leblon chegaram a se organizar para tentar impedir as obras do metrô naquele bairro argumentando que os moradores não utilizam esse modal de transporte – raciocínio deveras curioso, pois não são só os moradores de um bairro que têm o direito de por ele se locomover… Infelizmente, o movimento do Leblon guarda triste semelhança com iniciativa ocorrida em Higienópolis (São Paulo), a qual tentou barrar a entrada de “gente diferenciada” no bairro.

Enquanto isso, a rainha da Inglaterra parece não ter medo de gente diferenciada, pois o metrô de Londres passa pertinho do Palácio de Buckingham e de outros palácios ocupados pela realeza britânica. E o metrô de Londres não serve apenas aos turistas que queiram visitar os prédios históricos da cidade; ele é usado em larga escala pela população londrina e é o principal meio de locomoção da metrópole.

 A elite santiaguina também parece não temer a invasão de forasteiros, visto que o chique bairro de Las Condes possui mais de uma estação de metrô. Ainda quanto ao metrô de Santiago, é de se louvar a sua pontualidade e a segurança de suas estações – sempre policiadas por carabineros e não por segurança terceirizada que não se sabe como foi treinada. E, apesar de não cobrir toda a cidade, o metrô da capital chilena se destaca pela fácil integração com o BRT Transantiago, formado por ônibus articulados que virtualmente te levam a qualquer lugar. A rede de integração funciona tão bem que eu consegui visitar a vinícola Concha y Toro (que fica na cidade de Pirque, fora de Santiago) usando metrô mais ônibus e gastando menos de 10 reais consideradas as passagens de ida e de volta.

Se analisada a situação do metrô do Rio, há poucos pontos positivos a ressaltar. A rede é pequena, bem menor que a de Santiago, cidade com tamanho semelhante ao do Rio. Os intervalos entre as composições são irregulares e não são raros os incidentes – como os atrasos causados pelos problemas técnicos. Enquanto a tendência mundial é adotar uma rede com várias linhas interligadas, o metrô do Rio estica indefinidamente a sua linha 1, sempre na base da gambiarra e ignorando estudos técnicos. Enquanto as estações londrinas e santiaguinas são discretas e funcionais, os arquitetos das estações cariocas parecem competir para ver quem fará a estação mais faraônica. O metrô do Rio tem ar condicionado, é verdade – mas ele nem sempre funciona, transformando em um micro-ondas motorizado. Para completar o quadro, as obras de expansão seguem um ritmo lento e nem sempre contemplando bairros carentes de transporte – e que deveriam ter prioridade.

Como solução para o fiasco que é o metrô do Rio, o prefeito Eduardo Paes propôs a adoção dos BRTs e dos BRS – como se um modal fosse uma alternativa ao outro, e não complementares como prova o bem-sucedido caso de Santiago. A lentidão das obras é justificada pelo governador Cabral como consequência do relevo do Rio – o que parece ser mais um argumento falacioso, pois Santiago, mesmo sujeita a abalos sísmicos e às limitações causadas pelos Andes, possui uma rede muito mais extensa do que a carioca. Na verdade, as autoridades brasileiras parecem laborar mais na criação de desculpas do que na solução de problemas.

Assim, chegamos às portas de grandes eventos sem um mínimo de mobilidade urbana – o que, mais do que prejudicar os turistas, prejudica os locais. Tudo indica que o único legado deixado por Copa e Olimpíadas serão as obras faraônicas fadadas a virarem elefantes brancos, visto que a infraestrutura da cidade continua capenga – e eu nem mencionei a situação calamitosa em que se encontram os aeroportos da cidade.

O que está se passando é muito sério. Nós cariocas devemos cobrar um plano de ação sério quanto à infraestrutura da cidade. E isso diz respeito não só ao transporte, mas também às redes de telecomunicações, águas e elétrica. O Rio não pode continuar a ser a cidade em que de dia falta água e de noite falta luz – como cantado em uma velha marchinha. Se a cidade pretende realmente se reerguer do período de decadência pelo qual passou, é necessário entregar serviços públicos de qualidade. Independente de Copa, Olimpíadas ou qualquer outro grande evento.

 

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