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Dicas de viagem (parte 1): Atacama

January 12, 2013

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Como após a minha série de lugares mais bonitos algumas pessoas me pediram dicas de viagem para Atacama, Machu Picchu e Foz do Iguaçu, tomei a liberdade de fazer mais uma série de posts, dessa vez destrinchando esses destinos. O primeiro post da série será sobre o Atacama.

1)      Quando ir?

Eu fui em maio de 2012 (outono) e recomendo bastante ir nesta época, pois, como é baixa temporada os preços (altos) do Atacama estão mais civilizados e os extremos de temperatura não são tão extremos. Se você pretende fazer o passeio do Salar de Uyuni, a melhor época é setembro/outubro, quando o frio dá uma trégua e não há risco do passeio ser prejudicado por enchentes (pois é, o deserto é seco, mas também há uma época de chuvas lá). Indo no verão, você vai pegar a cidade lotada, preços insanos e vai sofrer com a insolação (além de correr o risco de pegar chuva e neve). No inverno, alguns passeios ficam desconfortáveis (chega a fazer -20°C no Tatio) e julho é o mês dos europeus no Atacama – o que significa cidade cheia mais preços insanos.

 

2)      Como ir?

Você pode ir ao Atacama de avião e de carro (não há ônibus para San Pedro de Atacama, a cidade base). De carro, embora as estradas chilenas sejam um tapete, você vai ter de dividir a estrada com os caminhões que vem e vão dos portos de Antofagasta e Valparaiso, muitos deles carregando minérios e, justamente por isso, grandes, pesados e lentos. A melhor alternativa é mesmo o avião. O voo até Calama (cidade com aeroporto mais próxima) leva cerca de uma hora e meia desde Santiago (se for direto; em alguns horários o avião faz escala em La Serena) e você pode ir de Lan, Sky Airlines ou Pal. A Lan (www.lan.com), embora mais cara, tem a vantagem de que você pode comprar toda a sua viagem com o mesmo código (o que é ótimo para caso haja qualquer imprevisto), é a empresa que tem mais frequências para o deserto e você consegue comprar tudo pelo Brasil mesmo. A Sky (www.skyairline.cl) possui voos mais baratos que a Lan, mas tem menos frequências. Conversei com uma baiana que fez o voo Santiago – Calama com a Sky e ela gostou. Ressaltou apenas que não é possível fazer a compra diretamente do site deles (eles não aceitam compras de estrangeiros pelo site chileno) e ela teve de entrar em contato com o Call Center deles para fazer a compra da passagem. A Pal (www.palair.cl) é uma empresa menor e com perfil mais regional (ela faz voos Calama – Iquique, por exemplo). Não sei se o serviço deles é bom.

Chegando em Calama, você vai precisar de um transfer até San Pedro de Atacama. Se vocês estiver hospedado em um dos hotéis cinco estrelas da região (Awasi, Tierra Atacama, Kunza e Explora), eles têm guichês no desembarque onde já disponibilizam o transfer. Se não, a Translicancabur também possui um guichê no aeroporto e foi muito elogiada por brasileiros que eu conheci. Eu contratei a Turistour (www.turistour.com) ainda no Brasil. Eles são ótimos, pontuais e também fazem diversos passeios na região (falarei mais deles neste post).

 

3)      Quanto custa?

Não vou enganar ninguém: a brincadeira é cara. Como os horários de voo para o deserto são horríveis, você provavelmente vai ter de dormir em Santiago na ida ou na volta (gastando diária de hotel). Além disso, tudo no Atacama é caro: hotéis, passeios (alguns cotados em dólar), água, etc. Mas dá para ir sem falir. Compre passagens com antecedência (acredite, sai muito mais barato), pesquise preços (o preço da água, por exemplo, varia muito de mercadinho para mercadinho) e viaje na baixa temporada (os preços caem significativamente).

 

4)      Que moeda levar?

A moeda do Chile é o peso chileno. È uma moeda que não tem centavos, então é muito complicado fazer a conversão para o real. Em uma conversão aproximada, corte os últimos três zeros e divida por quatro o numeral. Ou divida o preço em pesos chilenos por 475 e você terá o preço em dólar. Não vale a pena levar pesos chilenos do Brasil, pois é difícil encontrar a moeda e, se você conseguir, a cotação será horrível. Embora em Santiago seja fácil trocar reais (até a casa de câmbio do Parque Arauco troca), o mesmo não vale para o Atacama. Leve dólar ou pesos chilenos comprados em Santiago (ou, ainda, saque dinheiro com seu cartão de débito no aeroporto da capital).

Muitos lugares no Atacama não aceitam cartão, então leve dinheiro. Embora existam agência do Redbank e do BCI em San Pedro de Atacama, as filas para sacar dinheiro são quilométricas e há um limite diário.

 

5)      Onde ficar?

Hotel é um problema sério em San Pedro de Atacama. Não há muita oferta e maioria varia entre hotéis cinco estrelas e pulgueiros dos piores. Os hotéis cinco estrelas são Awasi, Tierra Atacama, Explora e Kunza (entre eles, o mais barato costuma ser o Kunza). Geralmente trabalham com sistema all-inclusive (também inclui os passeios) ou meia pensão (sem passeios inclusos). Dependendo da época do ano, só fecham pacotes.

Se você não pode ficar em um cinco estrelas, dê preferência a ficar em um hotel próximo ao povoado, pois, com exceção da Caracoles e da Tocopilla, as ruas de San Pedro de Atacama não possuem iluminação e você vai precisar caminhar à noite no escuro, em ruas esburacadas e compartilhadas com carros e motos só para ir jantar. Outro fator a considerar: embora faça muito calor durante o dia, de noite e de manhã cedo faz muito frio, temperatura negativa mesmo. Você vai precisar de um hotel com aquecimento e água quente. No entanto, muitos estabelecimentos simplesmente limitam o horário de uso para fazer economia. Uma brasileira que conheci no Atacama contou que, como ela chegou tarde do tour astronômico, ela ficou sem aquecimento no quarto e teve de ligar a água quente para esquentar o ambiente. Não recomendo o hotel onde fiquei (Kimal), pois o serviço foi muito ruim (tanto que eu fiz questão de fazer resenha no TripAdvisor).

 

6)      Como montar os passeios?

As principais agências têm escritório na Rua Caracoles. Tire uma tarde para fazer a pesquisa de preços e montar o seu itinerário. Alguns passeios mais concorridos (tour astronômico da Space, Valle de La Luna e Valle de La Muerte, Geiseres Del Tatio) eu recomendo agendar pela internet no site das agências. Passeios feitos a grandes altitudes (Salar de Tara, Geiseres Del Tatio, Lagunas Altiplánicas) não devem ser feitos no primeiro dia, para evitar o mal de altitude. Alguns passeios são feitos em locais que não tem banheiro (como o Salar de Tara) e todos os locais visitados (com exceção dos povoados de Machuca e de Toconao) não possuem bares ou restaurantes. Leve sua garrafa d’água, protetor solar e óculos escuros (o sol é intenso mesmo quando está frio). Vista-se em camadas, pois, não raro, você vai viver todas as estações do ano em um dia.

Se você quiser fazer o passeio do Salar de Uyuni, além da questão da altitude, saiba que o passeio dura quatro dias e você vai ter de levar toda a água que precisar, além de bolivianos (o parque boliviano não aceita moeda chilena), casacos (faz muito frio) e passaporte (pois você vai atravessar para o lado boliviano). Uyuni é para os fortes; dorme-se em sacos de dormir até o último dia e toda a comida é feita pelo guia/motorista. Dê preferência a agências com carros 4 x 4 e com equipe de apoio na Bolívia.

Também há a possibilidade de se conhecer o vulcão Lascar e escalar os vulcões adormecidos Licancabur (nível de dificuldade alto) e Cerro Toco (dificuldade nível 2 em sua maior parte). Quando eu estive lá, a principal agência especializada em trekking (Volcano, fica na Rua Caracoles) não estava fazendo os passeios de montanha em razão da movimentação de minas terrestres ocorrida em razão das chuvas do verão de 2012. É que, de forma atípica, choveu muito nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, a ponto de causar enchente e destruir a infraestrutura de acesso às Termas de Puritama e à Quebrada de Jere (que eu não pude visitar). Como a fronteira chilena foi toda minada durante o Governo Pinochet, as minas se movimentaram e causaram um acidente com um grupo de peruanos. Parece que o problema foi resolvido no fim de 2012, mas convém checar antes. A Volcano e outras agências também alugam bicicletas para quem quiser.

Fiz meus passeios com a Turistour (www.turistour.com) e com a Cosmo Andino (www.cosmoandino-expediciones.cl). As duas são um pouco mais caras do que as demais agências, mas compensam com veículos 4X4 em boas condições e com aquecimento (essencial para o Tatio e para o Salar de Tara). Ambas têm escritório na Caracoles e a Turistour (que também atua em Santiago e Lagos Andinos) aceita cartão de crédito. Muitos guias da Turistour falam português, pois o público da agência é essencialmente de sul-americanos. Aliás, os guias são ótimos e muito simpáticos. Já a Cosmo Andino se destaca pelos grupos pequenos (máximo de 6 pessoas) e pelo público de europeus. Gostei mais da Turistour por conta da simpatia e conhecimento dos guias, mas a Cosmo Andino também é uma boa pedida. Seguem abaixo os passeios que eu fiz com a minha avaliação:

Salar de Atacama com Toconao e Lagunas Altiplánicas (almoço incluso) – Fiz com a Turistour – Passeio 5 estrelas, destaque para as Lagunas Miscanti e Miñiques.

Salar de Tara (almoço incluso) – Fiz com a Cosmo Andino – Passeio 5 estrelas, destaque para a neve no deserto e a visão acachapante da lagoa existente no salar.

Laguna Cejar (mar morto da América do Sul) + Ojos Del Salar + Laguna Tebinquiche (com queijos e vinhos inclusos) – Fiz com a Turistour – 5 estrelas, destaque para o pôr do sol na Laguna Tebinquiche.

Valle de La Luna + Valle de La Muerte (com garrafinha d’água inclusa) – Fiz com a Turistour – 5 estrelas, destaque para o pôr do sol no Valle de La Muerte.

Gêiseres Del Tatio com Machuca (café da manhã incluso, te pegam no hotel às 4h da matina) – Fiz com a Turistour – 5 estrelas. Atenção: se quiser tomar banho de água termal, saiba que não há vestiários ou qualquer estrutura com toalhas e etc.

Valle Del Arcoiris – Fiz com a Turistour – 4 estrelas, destaque para os petroglifos feitos pelos povos altiplânicos.

Tour arqueológico (Pukará de Quitor + visita a oásis + visita ao sítio arqueológico de Tulor) – Fiz com a Turistour – 4 estrelas, destaque para a Pukará de Quitor (antiga fortaleza do povo atacamenho para defesa das invasões incas). Tulor (antiga cidade atacamenha) pode ser um pouco decepcionante, pois boa parte da estrutura escavada pelo padre Gustavo Le Paige foi coberta para evitar erosão.

Passeio pelo povoado de San Pedro de Atacama – Você pode fazer por conta própria – Há uma pequena igreja para visitar e o Museu Gustavo Le Paige (uma salinha que serve apenas para você entender um pouco melhor a história do povo atacamenho). Vá se tiver tempo.

 

Fiz ainda o tour astronômico da Space (www.spaceobs.com), que dura cerca de uma hora e meia e vale muito a pena. O céu do Atacama é lindo e muito limpo. Aprender um pouco de astronomia neste local é perfeito. O tour é conduzido pela Alejandra e pelo Alain, um francês simpático. Eles têm vários telescópios e explicam o céu diante dos seus olhos com a ajuda de uma canetinha laser. No final, tem chocolate quente. O ponto de encontro para início do tour é na sede da agência (que fica na Caracoles) e o ônibus leva os turistas ao observatório propriamente dito. O tour é de noite ao ar livre, então não esqueça seu casaco. Há tours em inglês e espanhol e convém reservar com antecedência, pois enche. Eles só não fazem o tour em dias de lua cheia e se estiver nublado (coisa rara no Atacama).

 

7)      Onde comer?

Os melhores restaurantes são, na minha opinião, La Estaka, Adobe e Casa de piedra (esse último de massas e pizzas), todos na Caracoles e aceitando cartão de crédito. Há ainda o Delícias de Carmem, de comida local e que só aceita dinheiro.

 

Espero que vocês tenham gostado das dicas.

 

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