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Dicas de viagem (Capítulo 2): Machu Picchu

January 14, 2013

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Dando continuidade aos posts com dicas de viagem, chega a vez de Machu Picchu.

1)      Quando ir?

Convém evitar os meses de chuva (novembro a março). A mosquitada fica à solta, a trilha inca fecha em fevereiro para manutenção. Além disso, Machu Picchu fica quase na Floresta Amazônica, o que é garantia de calor insuportável nesta época. Sem contar as enchentes, como a de 2010, que isolou Machu Picchu e Valle Sagrado. Foi tão feia que o Peru teve de pedir ajuda aos vizinhos para resgatar todos os turistas. Também convém evitar julho, mês em que todos os mochileiros do mundo convergem para o Peru.

2)      É necessário tomar vacina contra a febre amarela?

Embora a vacina não seja mais obrigatória, convém tomá-la, pois Machu Picchu fica nas portas da Amazônia e você vai passar por região de mata fechada ainda que vá de trem. No Rio de Janeiro, os postos de saúde do Engenho de Dentro e da Avenida Henrique Valladares oferecem a vacina gratuitamente e ainda fazem o certificado internacional de vacinação. A vacina tem validade de 10 anos.

3)      E o mal de altitude? É inevitável? Quais são os sintomas? Como tratar?

O mal de altitude ou soroche acomete muitos turistas que vêm de regiões ao nível do mar (caso de quem vem de Lima, por exemplo). Cusco está a 3.500m de altitude e posso te dizer: não é mole chegar de uma viagem longa (fiz SDU-GRU-LIM-CUZ com uma pequena pausa para dormir em GRU) e mal conseguir caminhar por causa do efeito da altitude. Mas a reação à altitude depende de corpo para corpo: eu passei mal só no primeiro dia (e mesmo assim porque inventei de caminhar), tem gente que passa mal todos os dias, tem gente que passa mal depois que volta de Machu Picchu (que é mais baixa) e tem gente que não passa mal. Os sintomas do mal de altitude são dor de cabeça, enjoo, falta de ar e, em casos mais graves (e raros) edema cerebral. Para evitá-lo, descanse no primeiro dia em Cuzco (ou seja, faça o que eu não fiz), beba muita água, beba chá de coca três vezes ao dia (estava incluso na diária do meu hotel) ou balas de coca (acha-se em qualquer lugar), evite bebidas alcoólicas até você se sentir aclimatado, não coma comidas pesadas e, ao primeiro sintoma de mal de altitude, fale com seu hotel. Alguns hotéis oferecem oxigênio incluso na diária. É o melhor tratamento para o soroche. Desde Lima, você é bombardeado com propaganda sobre “soroche pills”. No entanto, essas pílulas, vendidas em qualquer farmácia de Cuzco, não são indicadas para quem tem pressão alta.

4)      Como ir?

Até Lima, voam TACA (voo direto saindo do Rio), Lan e TAM (ambas saindo de Guarulhos). Dentro do Peru, voam TACA, Lan e Star Peru (uma low cost que não me pareceu muito confiável). Voei Lan e não tenho reclamações; só elogios. Dá para ir de Lima a Cuzco de ônibus, mas não recomendo. Cada empresa tem a sua rodoviária em Lima e os ônibus variam desde ônibus executivos a muquifos sobre rodas. Além disso, quando eu fui (maio de 2012) as estradas da região de Cusco estavam em péssimo estado de conservação por conta ainda das enchentes de 2012. Considerando que a maioria é de pista simples, essa é uma informação a considerar. Além disso, conheci no Atacama um grupo de brasileiros que tinha feito Puno-Cuzco de ônibus e eles citaram problemas com bloqueios nas estradas por conta de greves de mineiros. O mesmo me falou um grupo de senhoras argentinas que tinha vindo de Bahía Blanca (início da Patagônia) de ônibus e teve de subir de Ica (sul do Peru) direto a Arequipa (já no altiplano) sem passar por Lima por conta de um bloqueio na estrada. Você também pode ir de trem a partir de Puno (Lago Titicaca), mas como o trem é operado pela Orient Express, certamente é caro.

5)      Onde ficar?

Cuzco tem muitas opções de hospedagem, desde hotéis da Orient Express, como Palacio Nazarenas e Monasterio, até hostels. Eu fiquei hospedada na Casa Andina Cusco Plaza, no Portal Espinar, entre a Plaza Regocijo e a Plaza de Armas (principal praça da cidade, onde ficam a Catedral e a Iglesia de La Compañía) e pertinho da Iglesia de La Merced (uma igreja colonial linda, onde assisti à missa em espanhol). O hotel é três estrelas e os quartos são simples, mas é muito bem localizado (dá para fazer todas as atrações do Centro Histórico a pé e San Blás fica a uns 20 minutos de caminhada), perto de bons restaurantes (como o Chi Cha, do Gastón Acurio, que fica quase em frente) e tem um atendimento fora do comum. Quando passei mal, fui atendida no próprio hotel, que me forneceu oxigênio (incluso na diária) e chá de coca (também incluso na diária) e fui acompanhada por funcionários até ficar bem. A rede Casa Andina têm outros 3 hotéis na cidade e é muito recomendada. Dica: fique hospedado próximo à Plaza de Armas e verifique se o hotel tem água quente e aquecimento, essenciais na noite do altiplano.

6)      É necessário dormir em Águas Calientes?

Pessoalmente, acho que não. Peguei o primeiro trem vindo de Cuzco (na verdade, de Poroy, cidadezinha acima de Cuzco) e cheguei por volta das 9h da manhã. A visita em si dura cerca de 4 horas (visita guiada) e não há nada para fazer em Águas Calientes, que é feia e cara. Durma lá só se você quiser visitar Machu Picchu sem a horda de turistas vinda de Cuzco (o parque abre às 6h da manhã).

7)      Quanto tempo ficar na região?

Depende. Se você não vai fazer a trilha inca, 5 dias são suficientes. Dá tempo para se aclimatar e visitar Cuzco, Valle Sagrado e Machu Picchu com tranquilidade. Se você vai fazer a trilha inca, considere que a trilha tradicional leva 4 dias, a “curta” leva dois e a Salkantay (mais pesada) leva 6. E você ainda vai ter de se aclimatar.

8)      Que dinheiro levar?

A moeda do Peru é o sol, que vale cerca de R$ 0,75. É difícil comprar sol no Brasil, então leve dólares e vá trocando por sol aos poucos. Na cidade de Cuzco, a maior parte dos restaurantes e lojas aceita cartão de crédito ou débito, o que já não ocorre no Valle Sagrado. Leve seu Visa Travel Money ou Mastercard Cash Passport para sacar dinheiro nos ATMs de Cuzco que já vão sair notas de sol.

9)      Como fazer passeios? Tenho de contratar agência?

Depende. Para visitar o Centro Histórico de Cuzco, não. Dá para fazer tudo a pé e há uma espécie de passe turístico (o boleto turístico, que é adquirido na prefeitura de Cuzco – na Av. El Sol, pertinho da Plaza de Armas) que vale não só para várias atrações do Valle Sagrado como para alguns museus de Cuzco (como o Museo de Arte Precolombino e o Museo Histórico, que são os mais interessantes da cidade). Para visitar a Catedral, Qoricancha, Iglesia de La Compañía e Convento de Santa Catalina, você tem de comprar ingresso no local ( e pagando em soles).

Já os sítios arqueológicos em volta de Cuzco (Qenko, Sacsayhuamán, Tambomachay, Puka Pukkara) têm acesso mais difícil (embora o ingresso já esteja incluso no boleto turístico). Assim, vale contratar uma agência. Eu usei a Viajes Pacífico, filial peruana da Gray Line (www.graylineperu.com) e gostei muito. O mesmo raciocínio vale para o Valle Sagrado: Ollantaytambo, Chincheros, Pisac e demais atrações do Valle Sagrado são acessíveis por estradas muito ruims e vale a pena contratar um guia, até para entender o que você está vendo. O ingresso nestes sítios arqueológicos já está incluso no boleto turístico.

Para Machu Picchu, você precisará comprar o ingresso para o sítio arqueológico com uma agência, pois o governo peruano parou de fazer a venda direta pela internet após uma série de fraudes. Você não consegue comprar bilhete para o trem nem reservar a trilha inca sem ter entradas para o sítio arqueológico, então essa despesa com agência é meio que incontornável. Se você não quiser fazer a trilha inca, o caminho é por trem com a Orient Express (www.perurail.com), que possui três tipos de trem: backpacker (como o novo já diz, voltado aos mochileiros e menos confortável), Vistadome (trem panorâmico e com serviço de bordo simples, voltado aos turistas middle class) e Hiram Bingham (alto luxo, inclui até guia em Machu Picchu e é quase uma pacote turístico em si). Eu fui de Vistadome. O trem tem um serviço de bordo simples e os funcionários, todo mundo muito simpático, se esforçam para entreter os turistas. Tem até desfile de roupas de alpaca na volta (e aceitam cartão)! Há venda de souvenirs dentro do trem.

A viagem leva cerca de três horas e meia em cada perna, sendo que a ida é uma descida em zig zag e a volta é uma subida. Chegando em Águas Calientes, você ainda tem de pegar um ônibus até Machu Picchu propriamente dita (agende o ônibus quando for comprar o bilhete de trem). Você pode contratar um guia na entrada por cerca de 40 dólares. Só há banheiro na entrada de Machu Picchu e não há qualquer restaurante ou bar lá, então leve sua água e lanchinhos. Embora não se pode comer lá, os guardas peruanos fazem vista grossa. Na volta, coma no vilarejo de Águas Calientes. Eu almocei no Toto’s house, um “tenedor libre” bem razoável.

Se você pretende fazer a trilha inca, leve em consideração que é necessária uma autorização especial do Governo peruano, que limita o número de pessoas na trilha. A trilha fica fechada em fevereiro e costuma estar lotada em julho. Note que é necessário reservar com três meses de antecedência. Como dito acima, há três tipos de trilha, sendo a mais puxada a Salkantay. Veja mais a respeito em www.peru.travel (site oficial do Peru).

10)   Quais são os passeios imperdíveis (além de Machu Picchu)?

Em Cuzco: Qoricancha, Catedral, Iglesia de La Compañía, Iglesia de La Merced, Museo Historico Regional, Museo de Arte Precolombino, Bairro de San Blás e Convento de Santa Catalina. Dica: o Museo de Arte Precolombino fica aberto até as 22h. Aproveite para jantar no MAP Café, um dos melhores restaurantes da cidade e onde comi o melhor prato com batatas da minha vida.

Arredores de Cuzco: Qenko, Tambomachay, Puka Pukara e Sacsayhuamán.

Valle Sagrado: Pisac (ruínas e mercado), Ollantaytambo, Chinchero (antiga redução jesuíta).

11)   Onde comer?

Além do já citado MAP Café, recomendo o Chi Cha, do Gastón Acurio. Note que é necessário reservar. Na hora do almoço, costuma ser mais vazio. No Valle Sagrado, comi no Tunupa, um restaurante a kilo bem roots que servia carne de alpaca e chicha morada (bebida feita a base de milho roxo que eu amei).

12)   Onde comprar?

O Peru é conhecido pela prata e pela tecelagem, com destaque para as roupas com lã de alpaca. Quanto à prata, você pode comprar na Ilaria, espécie de H. Stern local, que tem filial na Plaza de Armas. Se quiser mais barato, tente no mercado de Pisac, no Valle Sagrado, onde há espaço para pechinchar. Já quando for comprar alpaca, muito cuidado: há muitas falsificações. A alpaca verdadeira é fria ao toque, não pinica e suas cores naturais são branco e cinza. Se for comprar em Cuzco, dê preferência a lojas conhecidas como a Sol Alpaca. Se possível, prefira comprar no Valle Sagrado (embora lá você tenha de comprar em dinheiro), pois há coisas mais bonitas e há alguns projetos que beneficiam os índios locais.

Os mercados de Pisac e Chinchero, no Valle Sagrado, são ótimos para comprar artesanato local, inclusive os famosos retablos (espécies de altares em madeira lindíssimos). Porém, a maioria dos vendedores não aceita cartão.

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