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México, prazer em conhecer.

June 16, 2013

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Fiz minha viagem ao México sem saber muito o que esperar. Isto porque, apesar das evidentes semelhanças culturais, México e Brasil não sabem muito um sobre o outro. Fale a verdade: quando falam de México, você se lembra do “Chaves”, das novelas, do narcotráfico, dos mariachis, do sombrero, da tequila e do Caribe. Os mais velhos lembrarão da Copa de 1970, os politizados ressaltarão a dependência dos Estados Unidos e os culturetes certamente falarão do casal Frida e Diego, mas as nossas referências sobre cultura mexicana não vão muito além disso – o que é uma pena. Os próprios sites de turismo só mencionam a Riviera Maia, como se isso fosse tudo que o México tem para oferecer.

Ledo engano. Embora seja um país subdesenvolvido que efetivamente tem uma economia em grande medida dependente dos americanos (basta ver que os hotéis de negócios da Cidade do México estão lotados deles), o México é, talvez, o país com a cultura mais rica que eu já visitei (ombreando com o Peru, talvez). Essa cultura se expressa na língua (com diversas expressões em nahuátl), na culinária (simplesmente única), nas roupas (acredite em mim, a indumentária usada por Frida Kahlo é só um dos exemplos de roupa típica), nas artes visuais (os lindos murais em prédios históricos são impactantes), na música (que de forma alguma se limita aos mariachis, que, aliás, são típicos de uma região específica – o estado de Jalisco), nas novelas (que são exageradas porque os mexicanos são exagerados), na fala cheia de diminutivos dos mexicanos (que alguns atribuem à postura de respeito ao colonizador) e de tantas outras formas que fica até difícil listar. E é uma cultura milenar, pois no México foram encontrados alguns dos restos humanos mais antigos das Américas, além de terem florescido no país culturas antigas e ricas como teotihuacanos, olmecas, toltecas, astecas (mexicas), maias, mixtecas e zapotecas.

É claro que todos os sinais de subdesenvolvimento estão lá, expressos na violência (que, infelizmente, existe), na truculência da polícia (pense no filme “Traffic”), nos sistemas de transporte caótico (locomover-se na Cidade do México é um pesadelo), na poluição, nos políticos patéticos (o presidente, Enrique Peña Nieto, mal fala inglês e se embanana nos próprios discursos, tendo perfil mais para galã de novela do que para presidente), nos baixos salários pagos aos trabalhadores mexicanos (aqueles que trabalham com turismo ficarão muito felizes com qualquer gorjeta que você puder dar). Contudo, nada a que qualquer latino não esteja acostumado.

Os mexicanos, aliás, merecem um capítulo à parte. Não espere encontrar no México o calor humano que se encontra no Brasil. Embora os mexicanos, em geral, sejam amáveis, estão longe de ser tão sociáveis como brasileiros e argentinos. Sem contar que o México é um país ainda bastante conservador, apesar da Cidade do México ter legalizado o aborto e as uniões homoafetivas. Não espere encontrar mocinhas de minissaia ou jeans coladinho. Você também notará que demonstrações públicas de afeto são discretas. Os chilangos (habitantes da Cidade do México, assim chamados por conta do apelido dado aos migrantes que vieram do interior do país para tentar a sorte na capital) especialmente são muito desconfiados e dão pouca abertura para conversas informais (nos passeios que fiz sozinha acabei socializando com outros turistas), valendo ressaltar a simpatia dos poblanos (isto é, dos habitantes de Puebla) e o jeito malandrinho de ser dos yucatecas. O povo mexicano é essencialmente mestiço (inclusive a elite), não se verificando de forma escancarada aquela divisão de classes pela cor que é tão marcante no Peru. Talvez por isso, enquanto em Lima há uma estátua do conquistador Pizarro, não vi nenhuma estátua de Hernán Cortez na Cidade do México. Ah, importante frisar: os mexicanos não andam de sombrero na rua.

Encontrei um país que preserva de forma admirável seu patrimônio histórico (a conservação dos sítios arqueológicos é impressionante, assim como a estrutura de museus como de Antropologia, o mais completo que já visitei na vida), apesar de todas as dificuldades, além de ter uma economia bastante dinâmica, ainda que fortemente dependente dos Estados Unidos. O México tornou-se um grande exportador de serviços, além dos tradicionais produtos das empresas que se instalam na fronteira com os Estados Unidos. É notável a variedade de modelos de carros que se encontra nas ruas, assim como a quantidade de lojas sofisticadas. Tirando, talvez, a cidade de Cholula, nenhuma cidade que visitei tem aquela aparência empoeirada dos filmes americanos.

Aos poucos, vou postando tópicos específicos sobre o México e as cidades que eu visitei (Cidade do México, Puebla – que combinei com Cholula e Cacaxtla, Tulum, Cozumel e Mérida – de onde parti para visitar Chichen Itzá). Aguardem.

 

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