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Cidade do México: Centro Histórico.

July 17, 2013

Como a capital do que foi uma das colônias mais ricas da Espanha, a Cidade do México tem um Centro Histórico de babar, com belíssimas igrejas. Às igrejas espanholas, acrescente belos prédios da época do Porfiriato (ditadura de Porfírio Díaz, 1876-1911), de inspiração renascentista francesa, e prédios construídos já no século XX após o fim da Revolução Mexicana, como o Museo de Bellas Artes.

Além desta bela mistura, as características especiais do local onde foi construída a capital mexicana contribuem para enriquecer a experiência. A Cidade do México foi, literalmente, construída sobre a capital dos astecas, Tenochtitlán – a qual, por sua vez, tinha a peculiar característica de ter sido edificada sobre o leito de um lago, o lago Texcoco. Para tornar tudo ainda mais pitoresco, Tenochtitlán tinha apenas 4 ruas de terra – uma das quais ainda existe. Todas as demais eram, na verdade, canais de água corrente, que faziam de Tenochtitlán uma espécie de Veneza pré-colombiana, com direito a ilhas artificiais feitas pelos astecas e tudo. Quando os espanhóis vieram, muitos canais foram mantidos.

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Contudo, uma malfadada obra feita na década de 1980 acabou com os últimos canais, em um verdadeiro crime contra o patrimônio histórico, no qual foram postas abaixo também pontes feitas pelos espanhóis na época da Conquista.

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Estas características peculiares, no entanto, às vezes jogam contra a conservação da cidade. O terreno pantanoso combinado aos seguidos terremotos que vitimaram a Cidade do México tornaram o calçamento irregular (nem tente andar de salto alto, tamanha a quantidade de degraus na calçada), fazem com que a sinalização pintada no asfalto tenha de ser renovada constantemente (em algumas ruas, parece que a pintura foi feita por crianças) e ocasionam um fenômeno curioso, que é o afundamento das igrejas (diversas igrejas estão abaixo do nível da rua).

Um resumo desta história rica é o Zócalo, praça principal da cidade. O Zócalo foi construído sobre o antigo Templo Mayor dos Astecas e nele estão três das principais atrações turísticas da cidade: o próprio Templo Mayor (cujas ruínas podem ser visitadas), a Catedral Metropolitana (que, para mim, só encontra paralelo nas Américas com a Catedral de Cuzco) e o Palácio Nacional (sede do governo e onde se encontram belos murais pintados por Diego Rivera e que contam a história do país). É também no Zócalo que ocorrem todas as manifestações – o que pode prejudicar a visitação. Foi justamente o que aconteceu comigo, pois não pude visitar o Palácio Nacional, fechado por conta de um acampamento montado por professores do estado de Michoacán, que protestavam contra reformas na educação. No entanto, este protesto foi uma excelente oportunidade de conhecer um pouquinho do país.

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O tal protesto tinha por objetivo protestar contra uma medida do governo Peña Nieto que pretendia retirar poderes do sindicato dos professores. Lendo assim, pode parecer uma medida autoritária e desarrazoada. No entanto, sabendo um pouquinho da realidade mexicana, fica difícil não dar razão ao presidente (ainda que esse seja Enrique Peña Nieto, que mal consegue balbuciar seus discursos). Por volta da década de 1940, o governo mexicano delegou aos sindicatos de professores diversas funções importantes para a organização da educação, a ponto do governo não saber quantos professores e escolas existem no país. Esse estado de coisas propiciou a ascensão de Elba Esther Gordillo, mais conhecida como “La Maestra”.

Em um país onde o machismo impera, La Maestra se tornou uma figura temida até por presidentes dado o poder do sindicato que presidia. Infelizmente, tal poder não se refletiu em uma melhora na qualidade da educação no país e o México, tal qual o Brasil, amarga péssimos índices no exame internacional Pisa. Pior: La Maestra enriqueceu a olhos vistos, chegando a dar automóveis de presente a convidados que compareceram à sua festa de aniversário. Tal enriquecimento, é claro, suscitou suspeitas de desvio de dinheiro – isso enquanto diversos professores mexicanos exerciam sua profissão há mais de 10 anos sem ter estabilidade e sem estarem fixos em uma escola.

Assim que um dos compromissos firmados no Pacto pelo México (pacto de governabilidade assinado pelos três principais partidos do país quando da eleição de Peña Nieto) previa uma reforma na educação. Para tanto, a primeira medida foi prender La Maestra – o que contrariou muitos interesses.

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Fechado o parêntese sobre a educação no México, a rainha do Zócalo é mesmo a Catedral – que pude visitar em detalhes. Suas proporções monumentais impressionam, assim como os esforços para salvá-la do afundamento. Há até um pêndulo indicam a inclinação e técnicos que cuidam da torre de Pisa foram contratados para conservar o prédio. A Catedral conta com 3 altares e belíssimos entalhes de madeira e retablos. Sem contar o pitoresco oratório dedicado a San Ramón, que protege os encarcerados e mulheres com gravidez de risco, cujos devotos deixam cadeados para pedir graças. Embaixo da Catedral, ainda há ruínas do Templo Mayor e, bem ao lado dessa, há um trecho das ruínas aberto à visitação.

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Ainda no Zócalo, os camelôs e artistas de rua são outra atração do local. Há desde artistas de rua fantasiados de guerreiros astecas até vendedores de ervas (aliás, quem se interessar pelo tema, há na cidade um mercado só para elas chamado Sonora).

Além do Zócalo, valem a visita a Rua Madero, com belíssimas construções como a Casa dos Azulejos (belíssimo prédio colonial que hoje é um restaurante Sanborns e que tem um belo mural de Orozco), o Parque Alameda Central (uma das poucas áreas verdes da cidade), o belo Monumento a Juárez (único presidente indígena da história do México) e a interessante Rua Tacuba (que tem um café com o mesmo nome e que “batizou” um famoso grupo de rock local). Um outro prazer é observar os antigos conventos que foram convertidos em lojas e prédios públicos quando da presidência de Juarez, que expropriou os bens da Igreja e tornou laico o estado mexicano. Muitos conservam ainda características barrocas e tornam ainda mais especial o Centro Histórico. E o melhor, observar toda esta boniteza é de graça e todos os pontos citados são facilmente acessíveis pelo Metrô e pelo Turibus.

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No próximo post, a Basílica de Guadalupe e Teotihuacán.

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